Publicado em julho de 2006, este artigo de frei Tomislav Pervan, OFM fala dos critérios definidos pela Congregação para a Doutrina da Fé para avaliação de revelações e aparições. Veremos que Frei Tomislav acolhe esta instrução quando se refere aos eventos de Medjugorje dizendo: " O documento não perdeu nada de seu valor e atualidade e pode ser plenamente aplicado aos eventos de Medjugorje com todas as suas implicações. Ele pode examinar os eventos de Medjugorje do lado positivo ou negativo com todos os argumentos prós e contra".
segunda parte
( a primeira parte deste artigo está no boletim do mês de março - clique aqui para ler)
De acordo com o ensinamento de Santo Inácio sobre o discernimento dos espíritos, as causas dessas manifestações ou similares podem ser de natureza puramente humana, divina ou demoníaca. Os efeitos devem ser sempre julgados pela sua causa. Em relação a tudo o que aconteceu em Medjugorje, deve-se perguntar qual foi a causa, ou onde as causas iniciais tiveram suas raízes. Se levarmos em consideração os primeiros dias dos acontecimentos que tiveram lugar em Bijakovici em junho e julho de 1981, os peritos que analisaram exaustivamente as videntes concluiram que os videntes tiveram algum tipo de experiência chave fundamental, um encontro que os colocou no centro de algo que não poderiam imaginar ou prever, algo contra sua vontade ou inclinações, algo que dificilmente seríam capazes de predizer.
A ciência, como tal, não pode nem confirmar nem negar se a Gospa - Nossa Senhora - está ou não aparecendo (assim como não teria sido capaz de utilizar instrumentos científicos para registrar a Ressurreição de Cristo mesmo se eles estivessem presentes ao lado dos guardas romanos na túmulo de Jesus). Tudo o que a ciência pode dizer depois de vinte e cinco anos é que os videntes são fisicamente e psicologicamente saudáveis, e que tiveram uma profunda e ampla experiência que continua a afetar-lhes até hoje. E que tudo isto é, para os videntes, um tesouro sagrado. Por esse motivo deve-se excluir uma causa puramente humana e, pela mesma ordem de ideias, excluir que seja demoníaca, na medida em que o diabo não é capaz de produzir bons frutos de forma tão constante e duradoura.
.Desde que vinte e cinco anos tenham decorrido, uma revisão, sine ira et studio (sem rancor e [com] atenção diligente), seria oportuno, tanto na Igreja local como em geral, quanto aos frutos que foram dados e que continuan a serem dados através das aparições da Virgem María ultrapassando todas as suposições e preconceitos ideológicos. Quando observado a partir do ponto de vista puramente estatístico como um todo, perto de cinqüenta mil padres (nt.até 2006) passaram por Medjugorje, centenas de bispos, cardeais, e milhões e milhões de fiéis. O Una Sancta et Catholica (a Igreja Una, Santa e Católica) em miniatura passa por aqui todos os dias. Algo de herético, cismático, ou contrário ao ensinamento da Igreja havia de ser encontrado e a Igreja seria obrigada a tomar medidas contra esses abusos. Isso não aconteceu até o presente. Portanto, quinze anos desde o período de ad experimentum com a Declaração de Zadar em 1991, é um período suficiente de tempo, de modo a permitir a concluir que nada extranho ao ensino e prática oficiais da Igreja acontece em Medjugorje. A Liturgia celebrada e as devoções praticadas são plenamente Cristológicas , Marianas, Eucaristicas, sacramentais e estão em plena harmonia com as normas da Igreja.

Milhões e milhões de peregrinos, de todas as partes do mundo,
vão a Medjugorje
em busca
de uma experiência mais profunda de Deus.
Na foto acima vemos peregrinos de diversos países com suas respectivas bandeiras
ao lado da
Igreja Paroquial de São Tiago em Medjugorje.
Não se pode afirmar que os frutos particulares de Medjugorje são aqueles de intensa oração e à administração dos Sacramentos. Fazer isso seria criar um circulus vitiosus (círculo vicioso): existem outros lugares no mundo onde oração e os Sacramentos são uma prática comum, no entanto, o que está faltando aí são os efeitos eficazes que constatamos como atribuidos a Medjugorje. É claro que a oração e os sacramentos produzem copiosos frutos para toda a Igreja em todo o mundo, no entanto, de onde e por quê tantas pessoas vêm justamente a Medjugorje? Por que vêm a este lugar remoto onde têm uma experiência concreta de Deus e da graça, são convertidas, aprendem a rezar e, posteriormente, levam os frutos de Medjugorje para suas casas, dão testemunho sobre o que vivenciaram, e tornam-se missionários? Simplesmente não é possível separar as afirmações dos videntes em relação às aparições dos frutos das aparições que vemos na Igreja.
O consensus fidei et fidelium pode ser visto pelo fato de que pessoas de todos os níveis do povo de Deus, de todas as classes na sociedade e na Igreja, de todos os povos, e de todas as raças estão representadas em Medjugorje, e pelo fato de que a vida da Igreja é sustentada por todas estas pessoas sob a forma de testemunho, culto divino, sincero serviço, de caridade, (martyria, liturgia, et Diakonia), e, pelo fato de que todos crescem em santidade. Medjugorje é um fenómeno de dimensão mundial. Seus frutos podem ser vistos em todas as partes do mundo. Em essência, Medjugorje é um movimento de leigos, um movimento de fiéis leigos, carregado com espiritualidade, devoção e sinceridade para com o Senhor e com Nossa Senhora. Os próprios videntes são simples leigos e, como tal, são mais facilmente capazes de tocar os corações das pessoas simples, que facilmente se identificam com eles.
Medjugorje é um movimento de paz e de peregrinação, na medida em que as pessoas vêm aqui para buscar a paz interior. É também um movimento de renovação dentro da Igreja, Ecclesia semper reformanda (a Igreja sempre a ser renovada), bem como um movimento humanitário, na medida em que tem realizado enormes ações de caridade e beneficência em todo o mundo (uma afirmação feita pelo atual Papa em sua encíclica sobre Deus é Amor). A Lumen Gentium (Documento Vaticano II : Luz das Nações) afirma claramente: "Estes carismas, quer sejam os mais elevados, quer também os mais simples e comuns, devem ser recebidos com ação de graças e consolação, por serem muito adequados e úteis às necessidades da Igreja.. "(LG 12:2) Entretanto, Apostolicam Actuositatem (Apostólica Atividade) afirma ainda mais explicitamente:" A recepção dos carismas, mesmo aqueles que são humildes, dá origem ao direito e dever de cada um dos fiéis a fazer uso deles na Igreja e no mundo e para o bem da humanidade e para o crescimento da Igreja na liberdade do Espírito Santo. "(AA 3:3)
Após o último quarto de século, pode-se afirmar que Medjugorje se trata de um carisma profético - uma revelação profética uma chamda ao arrependimento. Estes carismas são capazes de ser encontrados em todos os fenômenos semelhantes no seio da Igreja. Revelações proféticas e aparições são um imperativo sob o impulso do Espírito Santo sobre o modo como um fiel deve se comportar aqui e agora, e o que o Povo de Deus deve fazer em uma situação específica. Assim, a Igreja não deve ser indiferete aos fenómenos. Ela tem o dever imperativo de investigar tais fenômenos com abertura e, coerentemente, para verificar se ela reconhece a vontade de Deus no referido fenómeno. É óbvio que a Ecclesia orans (a Igreja orante), reconheceu a vontade de Deus e a presença de Maria, neste caso, de que o nosso querido João Paulo Segundo falou em sua homilia em Zadar (!) Três anos antes, na festa de Maria, Mãe da Igreja (domingo - Festa de Pentecostes de 2003). Nessa ocasião, o Papa mencionou especificamente os acima citados sensus fidei fidelium (a compreensão da fé dos fiéis).
Se, como no caso beatificações e canonizações , o processo habitualmente começa com a Igreja local, e, após um intervalo de tempo adequado, a investigação, e as conclusões baseadas nos materiais oferecidos em prol da beatificação e canonização, o assunto é transferido para Roma. Eu penso que neste caso isso seria o adequado. Após tudo ter sido investigado a nível local, todo o processo de Medjugorje deveria ser transferido para o adequado Dicastério Romano no Vaticano, especialmente tendo em conta o fato de ter crescido além das fronteiras da Igreja local e tornou-se generalizado de modo a englobar toda a Igreja. Incontáveis grupos de oração em todo o mundo foram formados como consequência dos acontecimentos em Medjugorje. Eles exercem a marca da autenticidade e da verdade. Todo o fenômeno é assimilado no próprio ser da Igreja e, como tal, têm um peso maior do que o de uma beatificação de um dos escolhidos de Deus. Se, como acontece no caso de uma beatificação ela é colocada à aprovação do Povo de Deus , por que não deveríamos fazer especialmente na luz da presença eficaz de Maria em lugares específicos (João Paulo II, em Zadar !), e à luz das experiências pessoais e milagres que os indivíduos experienciam precisamente aqui em Medjugorje?
Ao longo de toda a história da salvação, Deus tem se comunicado com suas criaturas através de aparições. Esta forma de comunicação é especialmente adequado para a estrutura psico-espiritual do homem: elas envolvem os sentidos do homem, especialmente sua visão e audição. O fenômeno de Medjugorje pode ser explicado desta maneira ou de outra. No entanto, honestidade intelectual exige que todo o assunto seja visto à luz da Revelação, da mística, das experiências sobrenaturais e de tantas outras experiências semelhantes em outros casos, e, por essa questão, em outros credos.
Se Deus tem de fato falado ao longo da história , porque deveríamos estar excluídos de tal forma de comunicação onde o Espírito Santo faz uso de aparições devido às muitas necessidades do mundo contemporâneo? Quanto maior for a miséria no mundo, tanto maior é a necessidade da voz Deus e de sua comunicação. Assim, podemos bem concluir como fez Paulo: "Não extingam o espírito. Não desprezem as profecias. Examinai tudo e ficai com o que é bom! (1 Thess. 5:19-21
Medjugorje, 13 de julho de 2006
Fr Tomislav Pervan OFM foi
Provincial dos franciscanos (OFM) na Herzegovina (1994-2001)
Atualmente está de volta em Medjugorje.onde já atuara pastoralmente de1982 a 1988.
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