20/04/2017

Medjugorje a última curva



 
 
As Aparições de Nossa Senhora de Medjugorje, como acontecimento histórico ainda em andamento, assemelham-se aos momentos finais de uma corrida de fórmula 1.  Depois de muitas voltas,* enfim chega-se à última curva antes de entrar na reta final e cruzar-se a linha de chegada.
 
Quem acompanha desde o início da década de 80 os acontecimentos relativos a Medjugorje, pode se lembrar que desde o início, de muitas formas, as Aparições foram questionadas e com muita frequência atacadas dentro e fora da Igreja. Nos primeiros momentos, até os próprios familiares dos videntes os questionaram, assim como o pároco, frei Jozo Zovko, que no início estava cheio de dúvidas e os interrogava com rigor e somente passou a crer e defender os videntes quando Nossa Senhora um dia apareceu também a ele. Porém, a mão mais pesada foi a do regime comunista Iuguslavo que os ameaçou, prendeu paroquianos e, inclusive o próprio frei Jozo foi preso por um ano e meio por defender os videntes e não fechar a Igreja como mandara o governo. Nos primeiros dias os videntes foram levados a um hospital psiquiátrico, seus familiares corriam perigo de perderem seus empregos e seus bens pela força do regime
 
Depois vieram os estudos médico-científicos de especialistas italianos, franceses e austríacos. Os exames foram realizados em 1983-1984, depois novamente no final da década de noventa e, por fim, em 2005 ainda um novo exame foi realizado confirmando todos os resultados anteriores e encerrando as pesquisas que a ciência 
podia realizar. Em todos os exames permaneceram valendo as considerações dos primeiros estudos, que afirmavam dentre as 11 conclusões que: “com base nos exames psicológicos em todos e em cada um dos videntes,  é possível excluir com toda segurança a fraude ou o engano;com base nos exames médicos, provas e observações clínicas,  é possível excluir em todos e em cada um dos videntes a presença de alucinações de qualquer tipo“; - ”com base no resultado das investigações realizadas, é possível excluir em todos e em cada um dos videntes uma interpretação puramente natural destas manifestações.” E por fim “se pode concluir que depois de um exame mais profundo dos protagonistas dos fatos (os videntes) e de seus efeitos (do fenômeno das Aparições) não somente a nível local, mas também a respeito de uma resposta da Igreja a nível geral, seria bom para a Igreja reconhecer a origem sobrenatural  e por meio deste reconhecimento reconhecer o propósito dos eventos de Medjugorje".
 
Quando o bispo da Diocese de Mostar - que pessoalmente nunca conversou com os videntes - estava para rejeitar a veracidade de Medjugorje, o cardeal Ratzinger, prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, transferiu para a Conferência Episcopal da Iugoslávia o julgamento sobre Medjugorje, a qual publicou em 1991 a Declaração  de Zadar, que permitia visitas não oficiais a Medjugorje e não dava uma posição oficial sobre as Aparições, deixando aberta para o futuro uma declaração do Magistério da Igreja. Em 2010 o mesmo Joseph Ratzinger na época, então já como Papa Bento XVI, instituiu uma comissão com 15 especialistas - entre eles 5 cardeais - que examinou todo o fenômeno de Medjugorje, inclusive todos os seis videntes, os quais foram entrevistados e questionados pela comissão do Papa Bento XVI, um a um, no próprio Vaticano. Em 17 de janeiro de 2014, foi declarado pelo Cardeal Camilo Ruini, presidente da Comissão, o término dos estudos da Comissão com a entrega dos resultados ao Papa Francisco, sem a apresentação pública de suas conclusões. Vinha-se, então, aguardando uma posição oficial do Vaticano sobre o resultado destes estudos, tendo o papa Francisco já sido questionado sobre isso em junho de 2015 no avião, quando voltava de sua viagem pastoral à Bosnia Herzegovina.
 
Então, ainda não saindo tal declaração, surge uma nova noticia em 11 de fevereiro de 2017 -  dia de Nossa Senhora de Lourdes: Dom Henryk Hoser, S.A.C (imagem ao lado)., arcebispo de Varsóvia-Praga (Polônia), foi  nomeado como enviado especial da Santa Sé para Medjugorje. A missão tem como objetivo aprofundar o conhecimento da situação pastoral e, sobretudo, das necessidades dos milhares de fiéis que vão em peregrinação e, com base nisso, sugerir possíveis iniciativas pastorais para o futuro. A missão teria, portanto, um caráter exclusivamente pastoral. Em passado recente houveram opiniões na mídia de que, ou Medjugorje haveria de se tornar uma diocese ou poderia ser uma paróquia dirigida diretamente pelo Vaticano. 
Com tais diretrizes pastorais a serem definidas pelo Vaticano para Medjugorje, teremos, então, um fato talvez inédito na história da Igreja. O estabelecimento de um centro religioso - possivelmente um santuário -  com as Aparições ainda ocorrendo. Medjugorje funcionará
como Lourdes ou Fátima - que se estabeleceram como santuários bem depois do término das Aparições na França (1858) e em Portugal (1917), porém, em Medjugorje ocorrerá o mesmo que nestes países, mas com o fenômeno original de todo o movimento pastoral ainda ocorrendo.
 
Em sua homilia na Igreja de São Tiago, no dia 01 de abril de 2017, Dom Hoser disse que viveu 21 anos em Ruanda, na África, onde, a partir de 1982, ocorreram Aparições de Nossa Senhora - já reconhecidas pela Igreja - a qual previu 20 anos antes o genocídio que mataria um milhão de pessoas em 3 meses. As pessoas naquela época não compreenderam a sua Mensagem e a tragédia aconteceu.  Depois ele disse que na perspectiva da falta de paz, a veneração de Nossa Senhora Rainha da Paz é intensa em Medjugorje, e que esta veneração é necessária e importante para o mundo inteiro. Convidou a se rezar pela paz “por que a força destrutiva hoje tornou-se imensa. Cresce continuamente contra a família, a sociedade e os países. Nós precisamos da intervenção do Céu. A presença da beatíssima Virgem Maria é uma sinal desta intervenção. É uma iniciativa de Deus. Eu vim para encorajá-los, exortá-los como enviado especial do santo padre. Infundi em todo o mundo a paz através da conversão do coração. O maior milagre de Medjugorje é a Confissão, o sacramento da reconciliação”.
 
Ele agradeceu aos sacerdotes que vão confessar em Medjugorje - inclusive naquele dia haviam 50 sacerdotes confessando. Ao povo presente ele disse: “que o Senhor os fortaleça e os abençoe”.Com a conclusão desta etapa, não haverá nada mais a ser feito no sentido de investigações sobre as Aparições.  Estaremos na reta final e deveremos buscar viver e anunciar aos outros tudo o que Ela nos pede, enquanto se aguarda, no tempo de Deus, a prometida manifestação do Céu, com a revelação dos 10 segredos, que comprovarão a todos que os videntes falaram sempre a verdade.