Marinko - um testemunho dos primeiros dias

Ele foi detido, interrogado e espancado pela polícia comunista.

Marinko, que em 2012 completa setenta e dois anos, na época tinha completado a pouco quarenta. Ele tinha acreditado desde os primeiros dias nas aparições de Nossa Senhora, ajudou os videntes e tinha se tornado amigo deles e por este motivo foi detido, interrogado e espancado pela polícia. Porque ? O que tinha acontecido ? Pode nos reconstituir aqueles primeiros meses das aparições ?

"Em 30 de junho de 1981 foi o primeiro dia em que a polícia começou a me seguir. Mandaram duas espiãs de Sarajevo e a idéia delas era de levarem os videntes para fora de Medjugorje na hora da aparição, de modo a desencorajar todos os peregrinos que estavam reunidos sobre o Podbrdo. De fato, com uma mentira, uma jovem senhora fez os videntes subirem em um carro e os levou para longe do Podbrdo pare os impedir de subir a colina. Mas os videntes, durante o trajeto, com um pretexto, pediram a motorista que fizesse uma parada, e assim rezaram, caindo em êxtase precisamente no trecho da estrada onde hoje existe uma igreja franciscana, a cerca de oito quilômetros de Medjugorje. A polícia de Sarajevo e as espiãs estavam de fato convencidos de que, se os videntes fossem levados para longe da colina na hora da aparição teriam impedido o contato daqueles milhares de pessoas a um fenômeno que estava se tornando incontrolável para as autoridades. Ao mesmo tempo, os policiais me forçaram a segui-los ao comando de Citluk onde me interrogaram o dia inteiro e a noite inteira. Estava cansado mas determinado em dizer a verdade, ou seja, que eu acreditava nas aparições e que os jovens não eram mentirosos: os conhecia bem e acreditava neles firmemente. Desde que os comunistas eram todos ateus, por isto Deus não existia e Nossa Senhora não podia aparecer. Queriam fazer uma lavagem cerebral em mim mas eu disse a eles que desde que nasci eu acreditava, conhecia aquelas crianças e portanto acreditava que tudo aquilo era verdade. Por este motivo três policiais me interrogaram sem parar. Depois veio um quarto homem que, tendo visto a minha determinação a não mudar a minha versão, primeiro blasfemou e depois me deu dois socos em meu rosto com violência. Mas eu estava totalmente convencido da minha fé que não senti nem mesmo as dores. Desejava me provocar. As onze horas da noite, em um outro quarto, ouvi gritos muito fortes por cerca de dez ou quinze minutos. Depois entraram os policiais com este quarto homem que me repreendia por ter estimulado filhos dos outros. "Porque" me dizia "não faz esta encenação com os teus filhos " Eu respondi a ele: "estas crianças o conhecem bem e conhecem também os seus pais e seria o homem mais feliz do mundo se fossem os meus filhos a verem a Madonna" e naquela hora ele me bateu como disse a vocês antes. Exatamente naquele momento no qual recebi aqueles dois punhos, na minha mente veio a imagem de Pedro quando renegou Jesus mas eu dizia a mim mesmo: "Nossa Senhora, minha querida, eles podem fazer a mim o que quiserem mas eu creio fortemente." E naquele momento disse que não precisava mais responder nada. Voltaram ainda e me trouxeram uma folha e uma caneta onde deviam escrever de novo aquilo que tinha declarado. Cerca de uma e meia da noite veio uma datilógrafa, levou a folha dizendo que por aquela noite eu podia voltar para casa e que devia ficar por lá porque precisariam novamente de mim. Quando sai do comando da policia encontrei a minha esposa com um amigo que estavam me esperando e me disseram que eu estava preso ali dentro desde o dia anterior e que eles tinham ficado do lado de fora me esperando. Naquele ponto eu perguntei a eles o que seriam aqueles gritos que eu tinha ouvido. Me confirmaram que tinham estado diante do quartel da policia todos os videntes. Os seis jovens estavam me procurando. A policia os intimava a voltarem para casa. Os videntes continuavam a protestar e a me defender e diziam que eu era um bom homem e que não tinha feito nada. Se existiam culpados eram eles, os videntes. O pequeno Jakov se virou e com um dedo apontou para o chefe de polícia e disse a ele: "Também um dia virás sobre a colina das aparições." O pequeno Jakov tinha apenas nove anos e não se podia compreender de onde vinha a ele aquela força de protestar diante de um oficial da polícia. Segundo a mim era a própria força de Nossa Senhora que estava dentro dele. Naquele mesmo momento os videntes, voltando daquele lugar acompanhados de uma moça tinham tido a aparição ao longo da estrada."

"O que queria de você exatamente a polícia ?"

"A policia me interviu mais de dez vezes enquanto eu trabalhava, me levavam ao quartel e depois também para casa. Desejavam a todo custo que eu trabalhasse para eles, que me tornasse um espião... porque ? Queriam uma pessoa que se misturasse entre o povo, queriam me comprar mas eu os fiz ver as minhas mãos cheias de calos e os disse que continuaria a ser mecânico e não um espião."

"Mas você é famoso entre os mais velhos da vila por um gesto de grande solidariedade."

"Domingo, 30 de junho de 1981 era o quinto dia das aparições e já estavam 23.000 pessoas na colina: fazia muito calor e eu senti que devia ajudar aquelas pessoas. Se tivesse vindo como peregrino sobre aquela montanha, também eu teria tido sede, tanta sede. Então tive vontade de oferecer aqueles peregrinos transporte gratuito de dois carros cheios de água potável fresca, que fiz vir de Split."

A policia perguntou muitas vezes a Vicka se Marinko tinha ganho dinheiro trazendo água e Vicka disse que eu tinha oferecido não somente água, mas também grapa (bebida destilada) e vinho. E tudo gratuitamente porque ele acreditava firmemente em Nossa Senhora.